As Olimpíadas de 2021, em Tóquio, trouxeram à tona um assunto que não era muito debatido: os trajes esportivos femininos. Durante as olimpíadas, as atletas alemãs de ginástica artística utilizaram macacões que iam até o tornozelo. Esse traje não é proibido, no entanto não é tradicional². Ao utilizarem esses uniformes, as atletas alemãs trouxeram à discussão a sexualização de seus corpos.

No início de julho, a equipe norueguesa de handebol de praia foi multada pela Federação Europeia de Handebol, em aproximadamente R$ 9 mil, por terem utilizados shorts ao invés de biquínis, conforme o regulamento da competição. Que determina o uso da parte de baixo do biquíni com um top esportivo. Em contrapartida, o traje masculino é uma regata e shorts¹.

O problema de ter só um tipo de vestimenta é a falta de escolha para decidirem o que as deixam mais confortável na hora da prática dos exercícios. Durante as competições as atletas já estão tensas e ficar pensando se a roupa está mostrando algo a mais é uma preocupação desnecessária, que pode vir a atrapalhar o desempenho na prova.

“Toda vez que você não se sente seguro, isso distrai você daquilo que você quer apresentar. Acho que se sentir seguro e não pensar no que as outras pessoas podem ou não podem ver é um alívio quando você pode competir assim”, disse a atleta alemã Sarah Voss, em entrevista à BBC.

 

Para além do conforto, há também que se debater sobre o uso de corpos femininos como instrumento de audiência e lucro¹. “Temos no vôlei de praia, por exemplo, uma grande diferença entre a roupa masculina e a feminina, e isso se dá por conta de patrocínio. É considerado mais vendável que as mulheres se vistam de uma determinada forma, porque vai aparecer mais o corpo, logo, a marca será mais vista e terá mais lucro”, afirma Thabata Telles,  presidente da Associação Brasileira de Psicologia do Esporte (Abrapesp). 

A batalha contra a objetificação e sexualização dos corpos femininos no esporte tem que ser enfática, uma vez que expor a mulher é um negócio vantajoso para a mídia e anunciantes e não para a mulher. Em contrapartida, exceções religiosas são melhor aceitas. Na Rio 2016, as atletas egípcias de vôlei de praia, Doaa Elgobashy e Nada Meawad, que são muçulmanas, puderam jogar de calça e uma delas de hijab .

O que é importante observar é que a mídia audiovisual tradicional propaga essas imagens, muitas vezes sem trazer questionamentos e sim fazendo comentários sobre os corpos. Entretanto, hoje temos maneiras de gerar o debate. Expor os corpos femininos vira uma atração e não uma questão de acompanhar um esporte e gostar. A mídia acaba se valendo disso também para ter mais audiência.

O interessante de notar é que as exceções são concedidas se motivadas por questões religiosas e não pelo sentimento de desconforto das atletas, não podendo escolher o que vestir, não tendo autoridade sobre os próprios corpos.

Deve se levar em conta que as atletas de alto rendimento não podem usar trajes esportivos que lhes deem vantagens e nem que as atrapalhem, porém devem ser readequados conforme as necessidades das atletas, desde questões religiosas até conforto e confiança.

#ParaTodosVerem: Na foto de capa há dois maiôs de natação, um azul cavado e um cinza modelo de short, e na parte inferior esquerda está escrito de vermelho em fundo preto: Quem decide são elas.

Fonte:

¹Gauchazh

²Guia do Estudante

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