Recentemente os indicados do The Game Awards, o “Oscar dos jogos”, foram anunciados. Dentre todas as categorias, uma se destaca por sua importância social: inovação em acessibilidade. Infelizmente a categoria não recebe a atenção necessária na premiação, mas a sua existência já indica algum avanço para tornar os jogos acessíveis a todes.

Nos últimos anos houveram várias melhorias para dar suporte às pessoas com diversas dificuldades. Em 2018 a Microsoft lançou o Controle Adaptável do Xbox, um controle com diversas modificações possíveis dependendo das necessidades do usuário ¹. Outro avanço que podemos apontar é na conversão de fala para texto e texto para fala. Com a transformação dos videogames para um espaço de conversação entre jogadores, essa ferramenta se torna fundamental para pessoas com deficiência visual ou auditiva.

Neste ano, os jogos indicados como inovadores na acessibilidade são: Far Cry 6, Forza Horizon 5, Marvel ‘s Guardians of the Galaxy, Ratchet & Clank: Rift Apart e The Vale: Shadow of the Crown. 

Alguns destes se destacam pela enorme quantidade de opções para customização do jogo, procurando se tornar mais acessível. Entre as opções estão: mudar a cor do jogo para pessoas daltônicas, modo de alto contraste para distinguir melhor os elementos do menu e dos textos, alteração do tamanho das fontes, customização de controles como, por exemplo, o alterar os controles para o modo de uma mão, alteração nas dificuldades, mira fixa, retirar movimentos bruscos da câmera, e muitas outras. Além disso, Forza Horizon 5 também se destaca pela opção de usar a linguagem de sinais, mas por enquanto só na linguagem americana e britânica.

Foto: IGN

Foto: IGN

#ParaTodosVerem – Imagem em horizontal. A captura de tela é de uma cena do jogo Forza Horizon 5. No centro da imagem há um carro esportivo parado e na frente dele há um homem olhando o carro. Ao redor há uma vegetação diversa. No canto direito da imagem, há um pessoa usando a linguagem de sinais para a acessibilidade do jogo. Na parte inferior central há uma legenda em inglês.

Mas de todos os jogos, o que mais chama atenção na categoria de acessibilidade, é o The Vale: Shadow of the Crown. No jogo acompanhamos a jornada de Alex, uma princesa cega designada como guardiã de um castelo do reino. É um jogo de ação e aventura com foco narrativo e utiliza o áudio 3D e feedback tátil do controle para gerar maior imersão.

O diferencial do jogo está no seu desenvolvimento, feito com auxílio do Instituto Nacional Canadense para Cegos. Ao invés de serem feitas alterações para possibilitar a acessibilidade, o jogo já foi desenvolvido com o intuito de ser acessível aos jogadores cegos ².

Foto: Epic Games

Foto: Epic Games

#ParaTodosVerem – Imagem horizontal da arte promocional do jogo The Vale: Shadow of the Crown. As cores da imagem são todas em tons vermelhos e preto. Na arte há uma mulher vestida de armadura e segurando uma espada e um escudo. Do lado esquerdo da imagem há vegetação e na direita há um castelo. Ao fundo da imagem há uma floresta e montanhas.

Apesar das inovações citadas no texto, o caminho para integração de todas as pessoas nos jogos ainda é longo e complicado. Existem alguns problemas na criação de jogos acessíveis. O avanço de tecnologias, como o Controle Adaptativo ou softwares que leem textos, aumentam as possibilidades para o acesso de mais pessoas. Mas talvez o maior problema em criar jogos acessíveis seja a própria falta da presença de pessoas no desenvolvimento dos jogos. Porém, como visto em The Vale: Shadow of the Crown, essa é uma realidade que pode mudar e gerar bons resultados.

Fontes:

Tech Tudo

Game Vício

#ParaTodosVerem – Imagem de capa. Na arte há a silhueta preta de uma mulher de perfil que possui asas ao invés de braços. A mulher está com as asas e a cabeça para trás. Também há escrito em branco a categoria “Innovation in Accessibility Award” (Prêmio deInovação em Acessibilidade). O fundo da imagem é vermelho.