A arte do origami, desperta a curiosidade e o interesse de muitas pessoas não só do adulto, mas, também, das crianças. A maneira como um simples papel pode se transformar em algo grandioso, cheio de detalhes é incrível e, assim, atiça muitos indivíduos a tentarem fazer e muitos conseguem realizar a arte que tanto desejam.

Existem muitos canais que ensinam a fazer origami nas diversas plataformas como no YouTube, Instagram e até o TikTok. Entenda um pouco desse mundo detalhado da dobradura japonesa com os próximos parágrafos.

Origami, “ori” significa dobrar e “kami” papel em japonês¹, então origami é a arte de se dobrar o papel e fazer com que vire uma figura, sendo geralmente, plantas e animais.

Sobre a origem dessa dobradura, existem diferentes visões. Um viés é que os monges budistas coreanos levaram o papel para o Japão, desse modo os nipônicos desenvolveram um papel de fibras vegetais, o washi que era para escrever e até fazer origami¹. Em outra versão, isso aconteceu com os monges chineses, eles teriam introduzido o papel e as maneiras de se dobrar, tudo isso por volta do século VII².

No começo o origami era usado em rituais xintoístas, na qual se tinha uma regra de que o papel não podia ser cortado e nem colado², pois os religiosos queriam honrar os espíritos das árvores³.

Para os origamistas, a arte de dobrar um papel tem uma conexão com a natureza, entendendo que esse material veio de uma árvore, mas anteriormente a isso esse ser começou sendo uma semente, na qual foi plantada e depois germinou. Uma visão de transformação, em que os papéis depois viram flores, animais no origami¹.

Dá para perceber essa ligação quando se observa alguns dos livros que ensina a se dobrar, a maioria tem vários de animais e flores.

Vários animais como o tsuru (grou/garça) e sapo possuem um grande significado. O tsuru, um símbolo de saúde, felicidade e prosperidade. E o sapo é o amor e a felicidade¹.

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Foto: Beatriz Endo

#ParaTodosVerem – Foto em horizontal. Um sapo de dobradura verde escuro em cima de uma mesa branca.

Existe uma lenda no Japão sobre os tsuru, que a pessoa que fizer 1000 passarinhos terá o seu desejo realizado.

Então, ouvindo isso, uma história emocionante de uma menina aconteceu no país do Oriente, mas que infelizmente teve um final triste. Sadoko foi uma criança que viveu durante a explosão da bomba atômica de Hiroshima, ela e a sua família moravam na cidade quando ocorreu o ataque. Conseguiu se salvar, mas anos depois foi diagnosticada com leucemia.

Ela não queria morrer, e ao ouvir sobre a lenda no hospital teve a esperança de que poderia ficar bem. Entretanto, infelizmente morreu antes de completar os 1000, nessas dobraduras possuía todas as suas orações. Hoje ela é homenageada, tendo uma estátua no Parque Memorial da Paz em Hiroshima. Em uma placa na frente ao monumento se tem escrito:

“Este é o nosso grito.

Esta é a nossa oração.

Para a construção da paz no mundo”.

Cartas e tsuru são enviadas do mundo inteiro para a construção5.

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Foto: Monday Morning

#ParaTodosVerem – Foto em horizontal do monumento da Sadoko. Sadoko está em cima de uma pedra, que tem três arcos na sua estrutura. Sadoko está com os braços para cima, carregando uma armação do tsuru. No pé do monumento tem vários papéis e tsuru coloridos. No fundo tem várias árvores.

No dia 06 de agosto no Japão, as pessoas depositam tsuru no mausoléu em homenagem às vítimas da bomba de Hiroshima, sendo uma maneira de desejar que o fato não volte a ocorrer6. Nessa mesma data em 1945, foi detonada no céu a primeira bomba atômica na cidade nipônica5.

Uma das pessoas, se não a pessoa mais importante e conhecida nesse mundo da dobradura é o Akira Yoshisawa, que patenteou as suas criações, padronizou as regras e metodizou as bases do origami¹.

A arte milenar é muito usada nas escolas, especialmente com crianças. Ela ajuda os pequeninos no desenvolvimento motor, paciência, memória, concentração, aprendizado das formas geométricas e relaxamento. Ademais, na imaginação e no sentimento de concretização. E ajuda os menores com transtornos, como TDAH8. Todas as crianças provavelmente já fizeram um barquinho de papel sulfite, um “capacete” no dia do soldado e até um aviãozinho para apostar qual voa mais alto.

É divertido pensar que um papel pode se transformar em várias representações do nosso dia a dia e isso não é diferente para as crianças. Elas conseguem imaginar de tudo e brincar com isso, fazendo carros, roupinhas, comidas, criar cenários com os animais de dobradura. Para a realização de todas essas representações elas necessitam ter concentração e paciência, pois origami também é feito de acertos e erros, e aos poucos vai se memorizando cada passo para depois ficar mais fácil e fazer sem ajuda.

O origami pode ser usado como enfeite, como uma cortina de tsuru e flores enfeitando cadernos. Pensando em livros, pode se fazer marcadores de páginas. Ademais, caixinhas para guardar objetos pequenos.

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Foto: Viajando no Apê

#ParaTodosVerem – Foto em vertical. Uma cortina de tsuru coloridos em degradê de baixo para cima do laranja para o vermelho, rosa, lilás, azul, verde, amarelo e voltando ao laranja repetindo o padrão novamente. Os passarinhos estão um em baixo do outro, conectados por uma linha e existe várias fileiras em horizontal.

Além disso, dia 11 de novembro é o Dia Internacional do Origami. Pelo fato de que nesse mesmo dia em 1918, o tsuru foi considerado o símbolo da paz. Essa comemoração dura do dia 24 de outubro até 11 de novembro, nos países da Europa e nos Estados Unidos7.

Pro Brasil, como todos devem saber, essa arte foi trazida pelos imigrantes japoneses. Aqui em Maringá temos a ACEMA, geralmente no evento NipoBrasil, tem a exposição de peças de origamis, que são impressionantes e lindas, especialmente aquelas que montam várias peças de papéis para formar um só. Vale muito a pena conferir o evento, não só pelas dobraduras, mas para se conhecer a arte, culinária e a cultura japonesa. Que acontece entre agosto e setembro.

O origami parece ser uma arte tão inofensiva, mas olhando a fundo se percebe os diversos significados, e a existência de histórias que traçam a sua trajetória. Nessa arte quanto mais se aprende, mais você quer fazer, e a cada vez ir subindo o nível de dificuldade. Você vai se desafiando e no final do processo, quando o seu origami já está pronto, percebe que valeu a pena ter errado e insistido.

#ParaTodosVerem Foto da capa – Foto em horizontal. Em uma tábua branca tem dois origamis, tsuru, um da cor vermelha menor que o de cor amarela. Na tábua e nos origamis tem a sombra de janela com grades.

Fontes:

¹Unesp

²Toda Matéria

³Brasil Escola

4A Grande arte de ser feliz

5Japão em foco

6Portal São Francisco

7Origami.club

8Guia Infantil