Acredito que para todos que lerem essa coluna o meio ambiente é algo importante. Duvido que exista alguém que, em sã consciência e atento ao mundo atual, coloque a questão ambiental em um lugar marginal, beirando a lata do lixo dos problemas que assolam nossas vidas cotidianas. Até mesmo aqueles autocentrados, vulgo egoístas, que têm o mundo sob o buraco do umbigo sabe bem do que estamos querendo falar aqui: o meio ambiente é um problema de todos.
Um problema de todos, dentro de um aspecto de indivíduo coletivo e não, não adianta dizer que cada um é responsável pelo problema, e que, portanto, você que lute. Vivemos e compartilhamos o planeta em sociedade, assim, nós que devemos lutar. Juntos. Mesmo aquele vizinho ou parente que você odeia, ou no plural, aqueles vizinhos e parentes que você odeia, estes todos devem ser envolvidos na causa ambiental. Mas olha, não irei ensinar ninguém aqui a lutar coletivamente, isso está posto desde que saímos do útero, até porque não saímos sozinhos, teve alguém para tirar a gente de lá, parteira, doula, médico, médica, enfermeira, a tia chata que sabe fazer parto, sei lá. Viu, vocês não podem e nem devem achar que o mundo se faz por sua vontade. Nem o meio ambiente.

Mas afinal o que é meio ambiente? Aliás a pergunta está errada… afinal o que não é meio ambiente? Sem entrar em questionamentos filosóficos, ontológicos, gnosiológicos, epistemológicos, mas ficando num entendimento bem simples, o meio ambiente é todos nós e tudo que nos rodeia, seja ele natural, a paisagem, a floresta, a mata, o bosque, a biodiversidade, aquilo que estava lá antes de nós, de nossos pais, de nossos avós, de nossas tataravós, de nossos tatatataravós, bem, acho que ficou claro.
E temos o meio ambiente artificial, aquilo que a sociedade, o empreendimento humano construiu e constrói: casas, ruas, galpões, fábricas, etc. são lugares que entendemos como espaços de meio ambiente também. Ou seja, queridos, meio ambiente não é só árvore, salve a Amazônia, mas salve a nós mesmos também, nossas cidades e nossas vidas.
Essa coluna vai falar disso. Este meio ambiente total, que nos cerca, que está dentro de nós, que fazemos parte e que, putz, estamos acabando com ele. Os problemas ambientais são vários, foram notados há várias décadas, e não acabarão com uma canetada ou uma nota de repúdio. A coisa vai além disso, é uma transformação social ampla, de alteração do sistema produtivo, de consumo. É mexer com aspectos culturais, de tradição, de cotidiano.  Meio ambiente é cotidiano, sua crise é cotidiano, sua solução é cotidiano.  Não tem jeito, não tem fórmula, não tem tecnologia.
Vejam exemplos simples, que são bem complexos. Mudanças climáticas, poluição atmosférica, derretimento das calotas polares, aquecimento global, buraco no ozônio, desflorestamento, desertificação, aumento do nível do mar, extinção de espécies, diminuição da biodiversidade, monocultura agrícola, pesticidas etc. São todos problemas globais, que afetam o planeta como um todo e não só a tia Cinira que está ali no seu cantinho bebendo um chá, fazendo tricô. Aliás a tia tem outros problemas a resolver, locais, poluição sonora. Sim, o seu celular tocando funk sem fone no meio do ônibus é um tipo de poluição, incomoda, atrapalha a tia; mas a tia tem que lidar com a água potável de péssima qualidade que sai da torneira, com a fumaça da fábrica que fica em frente ao seu portão, com o lixo acumulado há muitos dias, falta de saneamento no bairro, galerias fluviais entupidas. Isso são problemas ambientais, e não somente urbanos.

O Paulo (não, não é o Negri professor), mas o que está lá na horta, agora, cuidando das plantas, também enfrenta o mesmo problema. E pasmem… vocês não conhecem nem a tia Cinira nem o Paulo da horta, mas não precisa, todos os problemas ambientais atingem vocês, di-re-ta-men-te… o aquecimento global tá aí, cai quem quer?
A coluna vai nesse caminho, vamos falar dessas questões, dos problemas, políticas ambientais, decisões internacionais sobre o assunto, pactos, grupos e militância política e também, para não ficar deprimente, vamos falar de coisas boas, de soluções, atitudes coletivas que tem funcionado, de agroecologia, de bem viver, de ações que quando colocadas em um quadro maior, o quadro planetário, podem dar a impressão de que são pequenas, que pouco afetam a totalidade.

Mas… olha só, o problema é cotidiano, as soluções também. São as atividades coletivas que importam, que mudam vidas, que alteram e fazem crescer a necessidade de uma outra relação social com o meio ambiente. São as ações comunitárias que mudam o mundo todo. Chico Mendes, líder seringueiro da Amazônia, morreu pela causa, deixando uma nova situação para a comunidade que viveu, e com isso ajuda na transformação do mundo todo, sua luta ainda é viva, é vida também.

Inauguramos, assim, “Meio Ambiente, Política e outras drogas…”, coluna mensal do ComunicaUEM escrita pelo Prof. Dr. Roger D. Colacios.

 

#ParaTodosVerem – a imagem de capa é uma montagem em que se lê o título da coluna “Meio ambiente, Política e outras drogas”, nas cores marron, preta e branca. O título é cercado por retângulos vazados em tons de marron. A imagem ao fundo é um rio com uma mata. Sobreposto pode-se ver a ponta de um lápis, como se desenhasse o leito do rio.