A série Pose, criada por Ryan Murphy, diretor de séries como Glee e American Horror Story, foi produzida e distribuída pelo canal pago FX, mas no final de setembro, a primeira temporada, finalmente chegou na Netflix e desde então não saiu dos destaques da plataforma. A série que conta com duas temporadas e já está renovada para uma terceira, vem se destacando e recebendo os holofotes por onde passa. A produção que retrata manifestações da comunidade LGBT+ em Nova York, a partir de 1986, onde as pessoas experimentam um estilo de vida nunca visto antes na história da cidade, quando se começa a instaurar a ascensão da cultura de luxo e o surgimento dos bailes voltados a esse público. Pose nos mostra como a cultura dos balls (bailes) revolucionou a comunidade LGBT+ no final dos anos 80 e início da década de 90, como eles eram uma forma de resistência, mergulhando no histórico e na importância desses bailes até hoje.

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Indya Moore em um poster de divulgação da série Foto: FX

O seriado está fazendo história com protagonismo trans e negro na televisão americana, seu elenco possui o maior número de pessoas transgênero já escalados na televisão! São mais de cento e quarenta pessoas LGBTs envolvidas com a produção do show, além disso também traz nomes de peso como: Evan Peters, Billy Porter, Indya Moore, Kate Mara, James Van Der Beek, Mj Rodriguez, Dominique Jackson, entre outros.

A série está sendo considerada uma das mais importantes da história da televisão mundial no quesito de representatividade. Em 2019 foi indicada a seis Emmys, incluindo Melhor Série Dramática, onde Billy Porter, levou prêmio de Melhor Ator em Série Dramática fazendo história ao ser o primeiro negro assumidamente homossexual a ganhar na categoria além de ter emocionado a todos com seu discurso.

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Billy Porter com seu prêmio de Melhor Ator em Série Dramática Foto: Getty Images

Na primeira temporada a série é focada na trajetória de Blanca Evangelista (Mj Rodriguez), que abandona sua “mãe” Elektra Abundance (Dominique Jackson), para formar sua própria “casa”, onde ela acolhe jovens LGBTs que foram expulsos de suas casas dando um teto, alimentação e até educação. E então eles participam dos bailes, que são competições onde os participantes das “casas” desfilam looks que precisam ter a ver com o tema escolhido na noite, anunciado pelo apresentador dos bailes Pray Tell (Billy Porter).

Pose também não ignora o fato de a década de 80 ter sido marcada pela epidemia do vírus HIV, principalmente entre a comunidade LGBT+, trazendo alguns dos protagonistas sendo soropositivos e todas suas angústias convivendo com a doença. Mas tudo isso é feito na série com muita responsabilidade, trazendo diálogos bem reais e emocionantes.

A série também é visualmente muito atrativa, apresentando muito da moda da época, com seus figurinos extravagantes, brilhantes e coloridos. A arquitetura da cidade ao fundo ou das moradias de cada um dos personagens, apresenta a situação de cada um sem a necessidade de muitos diálogos. Além, é claro de trazer muita música e dança, hits como I Wanna Dance With Somebody da maravilhosa Whitney Houston, fazem parte da trilha sonora.

Mas principalmente Pose fala e traz representatividade, não só no seu elenco e roteiro. Parte da renda arrecadada com a série também vai ser revertida para organizações de caridade trans e LGBT+, financiando projetos de educação e saúde, como combate ao HIV.

Trazendo uma importante mensagem sobre inclusão e aceitação, sem perder a função de entretenimento, Pose tem tudo para ser uma série que todo mundo precisa assistir. Ficou curioso para entrar no mundo dos bailes? Confira o trailer da primeira temporada abaixo:

 


Fontes:

Escotilha

AdoroCinema