Conhece Auguste Rodin? Se não ou se sim, te contextualizamos mesmo assim: também conhecido como pai da escultura moderna, foi um exímio escultor francês vivido no século XIX e XX; a sociedade da época passava por um boom artístico, borbulhamento de novas vertentes e novidades ideológicas que se contrapunham com o persistente cenário de prestígio masculino e limitação feminina; os homens eram influentes e as mulheres restritas, incluídas em posições domésticas e pouco populares.

Por falar em popularidade, sabe o dito “por trás de todo grande homem há uma grande mulher”? Se hoje em dia ainda persiste a cena, na época não era diferente: por trás de Auguste Rodin havia Camille Claudel.

Camille Claudel?
Daremos um google: “Faleceu na obscuridade, mas sua obra ganhou reconhecimento por sua originalidade décadas após a morte.”

O que aconteceu? Contamos brevemente: Claudel, assim como Rodin, também era exímia na atividade escultórica e na França, até 1897 mais ou menos, as mulheres eram restritas das atividades intelectuais, não podendo exercer atividades artísticas mas, sem levar crédito, podiam ser auxiliares e ajudantes de escultores – na época, a profissão era particularmente masculina.
Primeiramente trabalhou criando com Auguste, dando forma às criações dele e dando formas também em sentimentos conflituosos, depois r
ompeu com o destino e se distanciando dos padrões e juízos estabelecidos socialmente, Camille foi além.

Claudel esculpindo "Vertunme et Pomone",1903, autoria própria

Claudel esculpindo “Vertunme et Pomone”,1903, autoria própria

"Vertunme et Pomone" 683 x 1024

“Vertunme et Pomone” 683 x 1024

A grande questão é que seus talentos foram ofuscados pelo machismo vigente e pelas condutas decisivas de seu irmão, Paul Claudel, que com autonomia e julgamentos de alienação, internou-a, ficando confinada até seus últimos anos em um hospital psiquiátrico e sendo enterrada em vala comum -o corpo de Rodin, por exemplo, encontra-se enterrado no museu que ele próprio fundou.

Durante a estadia no manicômio, Camille recebeu poucas visitas, tendo como um dos poucos nomes Jessie Lipscomb, amiga e também artista em uma sociedade segregatista.

Camille e Jessie

Camille e Jessie

Jessie Lipscomb.
Daremos outro google: “Jessie Lipscomb era uma escultora inglesa.”.
De imediato só isso, pouquíssimas informações.
Vamos juntar os dados e voltar
 ao passado: que dificuldade devia ser pesquisar, com poucos recursos, as artistas-mulheres ofuscadas por preconceitos.
Documentalmente elas não existiam. Documentalmente algumas ainda não existem!
No século XXI
, com métodos de pesquisa, foi possível reunir o acervo de Camille Claudel, que incluem obras desde o início de sua carreira até a decadência, criando um museu próprio. Antes o ofuscamento e agora enaltecimento: consegue-se observar trabalhos da escultora até pelo instagram.

As tramas femininas, desde as duas aqui citadas até outras incontáveis mulheres, retratam, não de forma incomum, a grave e existente desigualdade de gênero que resiste na história artística.

Sociedade: as mulheres também brilham arte!

Última foto de Camille Claudel onde foi fotografada por sua amiga Jessie Lipscomb, que sempre a visitava na clínica psiquiátrica de Montdevergues, França

Última foto de Camille Claudel,  fotografada por Jessie Lipscomb na clínica psiquiátrica de Montdevergues, França

 

 

 

Referências e Fotos:

Museu Camille Claudel

Camille Claudel: a quem serve a normalidade; blog da boi tempo

Camille Claudel; arte e artistas