A arte de transvestir-se, muito conhecida hoje por meio das drag queens, datam muito antes de Pabllo Vittar. Há controvérsias em relação ao seu surgimento, mas homens se vestem de mulheres desde a Grécia antiga, quando mulheres não eram permitidas nos teatros e cabia aos homens interpretá-las.

O teatro e as artes foram uma grande porta de entrada para as drags, apesar de não existir  essa noção de drag na época, estas eram reconhecidas apenas como homens que se transvestiam de mulheres. A história das drags está muito relacionada à falta de espaço feminino. As mulheres existiam nesses ambientes por meio de homens que as representavam.

Assim foi até o século XVIII, quando a presença de mulheres no teatro se tornou mais comum. As drags ficaram com os papéis cômicos e satíricos. Os homens que se montavam como mulheres ocupavam outra categoria dentro do teatro, geralmente ironizando a alta sociedade da época, com maquiagem exagerada e roupas espalhafatosas.

Durante o século XIX, no período de entre guerras, as drags passaram a ser associadas ao homossexualismo, quando as mulheres também tiveram seu papel revisto na sociedade.

Com a chegada da década de 1960 e a ascensão da cultura pop, o público LGBT teve mais espaço nas metrópoles, bem como as drags, que encontraram nos clubes de periferia espaço para se desenvolverem e apresentarem sua arte.

Foi só na década de 1970 e 1980 que as drags viraram símbolo da luta pelos direitos LGBT, mas foram logo deixadas à margem devido aos inúmeros casos de AIDS associados à comunidade. Elas foram novamente jogadas para dentro dos clubes. Aqui no Brasil, porém, elas ainda participaram dos programas de auditório dessa época, sendo chamadas de transformistas.

Já nos anos 1990 e 2000, as drags viram seu nome brilhar novamente e têm ocupado mais espaço dentro da sociedade. Principalmente na década de 1990, elas ajudaram a popularizar as paradas LGBT ao redor do mundo, retomando seu lugar frente à luta por seus direitos.

Atualmente as drag queens representam um símbolo de resistência da cultura e luta LGBT diante da sociedade majoritariamente heteronormativa em que vivemos. Principalmente por brincarem com questões de gênero, – usando barba, peruca longa e muita maquiagem numa mesma montagem – visando provocar as pessoas.

O Comunica conversou com Angelinna Herself, que nos contou como foi que surgiu a necessidade de montar uma drag e o que significa para ela ser drag queen. Fique com a palavra de Angelinna:

Angelinna Herself. Foto: Camila Mocki

Angelinna Herself. Foto: Camila Mocki

Fonte: G1