É de uma sociedade maliana em transição nos anos 50 que Seydou Keïta retratou famílias, casais, homens. Com seu estúdio perto de uma estação ferroviária, o fotógrafo tinha uma fonte quase que inexorável de nigerianos, marfinenses e burquinenses para suas fotos. Vem ver de perto esses retratos incríveis!

Não se pode esquecer que na época os fotografados, principalmente malianos, enfrentavam reviravoltas políticas e sociais, fagulhas que indicavam uma independência do país. A fim de compor suas fotos, Keïta deixava sempre a disposição de seus retratados objetos para que escolhessem compor a foto promovendo a ideia de que eles obtinham poder sobre a aculturação, já que não usavam por obrigação.

As riquezas das fotografias do artista carregam mais que registros, mas vislumbres importantes na história da fotografia africana, já que a fotografia chegou à África pela colonização e inicialmente foi praticada por homens brancos. Seydou Keïta, e muitos de seus seguidores, mostraram-se resistentes por modificar o mundo compondo suas próprias narrativas ao contrário de ignorá-lo.

Confira mais do trabalho do retratista na galeria da Coleção Africana Contemporânea (Contemporary African Collection – CAAC).