O projeto “Você é feminista e não sabe” surgiu como um canal de entrevistas no YouTube em maio de 2015. Angélica Kalil, quem fundou o canal, nos contou que o trabalho sempre foi feito com muito amor por todos e todas que participam e que nunca tiveram recursos financeiros. A proposta do projeto é apresentar e gerar discussões inclusivas e atuais sobre o feminismo como movimento que busca a equidade de direitos e também oportunidades entre mulheres e homens.

Neste ano de 2017, as 15 primeiras entrevistas do canal foram transformadas em um livro ilustrado. Para a produção das ilustrações, além do texto de apoio, foram escolhidos três pontos de cada conversa. Encontramos nesse livro 15 reflexões sobre o feminismo, informações e números sobre a situação da mulher no mundo e a biografia de algumas mulheres que mostraram resistência questionando papéis de gênero na história, além das 60 ilustrações de Mariamma Fonseca. Como não possuem recursos financeiros, o projeto contou com financiamento coletivo numa plataforma online para a impressão de mil exemplares.

Para saber um pouquinho mais sobre o “Você é feminista e não sabe” o ComunicaUEM entrevistou a Angélica, diretora do canal. Confira nossa conversa.

Comunica: Por que surgiu o “Você é feminista e não sabe”?
Angélica: Eu acreditava que seria interessante juntar em um só lugar vários recortes sobre o feminismo. Para mim feminismo é um repensar das relações de gênero em todos os níveis – pessoais, sociais, institucionais, econômicos – existem vários feminismos. Cada uma tem o seu e é importante que cada uma possa falar do seu ponto de vista. Também tem o fato de que foi uma busca pessoal minha a respeito do assunto. Então, tanto quem assiste as entrevistas no canal, quanto quem vai ler o livro, fará a jornada que eu fiz pelo assunto.

Comunica: Quantas pessoas integram o projeto e quem são elas?
Angélica: O canal é tocado por mim e por amigas e amigos que podem ir gravar comigo. No total umas vinte pessoas já gravaram, editaram, produziram comigo. Sem elas não teria como eu fazer. Realmente é um coletivo e ninguém é indiferente ao tema – todo mundo sugere pauta e também é tocado pelo assunto. Já o livro foi idealizado por mim e pela Mariamma Fonseca. Como ela também traz esse olhar para o feminismo, as ilustrações que cria são carregadas de conteúdo e simbolismo – e trazem para o livro mais informações sobre o tema de uma maneira forte, sensível e tocante. Eu acho impressionante o trabalho da Amma. O projeto gráfico da Café com Chocolate Desing também foi fundamental para o resultado final. Uma coisa que achei super interessante é que eles tiveram todo um cuidado de pesquisa antes de criar o projeto. Por exemplo, a fonte usada no texto é a Scaramella, criada por Camila Scaramella, “produzida para ser disponibilizada gratuitamente para projetos voltados para as causas feministas”.

Comunica: Qual a importância dele nas discussões sobre feminismo?
Angélica: Acho que esse projeto se soma a outras tantas vozes que vêm reivindicando um novo olhar para as questões de gênero.

Comunica: O que você espera para o futuro do projeto?
Angélica: Eu espero que muitas pessoas leiam e entendam melhor o feminismo, que considero uma das grandes questões do nosso tempo. No canal já estamos fazendo novas entrevistas que estarão no livro 2!

Comunica: Como o feminismo entrou e mudou a sua vida?
Angélica: Olhando para trás, eu vejo que sempre fui feminista desde criança. Mas o tema realmente entrou na minha vida quando minha filha nasceu. Hoje ela tem 10 anos e eu me considero uma ativista mesmo. Eu mudei em tudo, na maneira de ver o mundo, nas relações pessoais, nas relações sociais, nas relações profissionais, no modo com que eu me relaciono com a minha sexualidade, com o meu corpo, com a minha autoestima. Para mim, tudo perpassa esse tema.

 

Ficou curioso ou curiosa? Acompanhe o projeto e suas entrevistas!