Empresas promovem iniciativas para o descarte e reciclagem de lixos específicos.

Ana Carolina Fidalski

Giovanni Bruno de Oliveira

Nós produzimos lixo o tempo todo. É só olhar ao redor e notar o quanto das coisas que estão ao seu lado vão te acompanhar até o final do dia. O que fazer com o lixo resultante do consumo desenfreado que nós humanos produzimos é uma questão que gera preocupações. Como o tempo e a forma de decomposição de cada material é diferente, se torna mais do que necessário uma separação entre eles para um descarte apropriado, que quando não feito, pode gerar sérios problemas ambientais e colocar em risco a saúde pública.

Alguns tipos específicos de lixo, como o óleo de cozinha, equipamentos eletrônicos e medicamentos, precisam de ainda mais cuidado e conscientização. É o que abordaremos a seguir: seus riscos, a importância de descartá-los da maneira correta e como fazê-lo.

 

LIXO ELETRÔNICO:

O descarte do lixo eletrônico é um desafio que tem sido enfrentado, visto que a indústria desse setor tem crescido bastante nos últimos anos. Inerente à essa produção está a dificuldade de reciclar esses materiais e em como lidar com tamanha quantidade. Segundo o Programa para o Meio Ambiente da ONU (Pnuma), a previsão para 2017 é de que o mundo produzirá um total de 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico. Aproximando esses dados, dentro da América Latina, nós brasileiros somos os que mais geram esse tipo de lixo: aproximadamente 0,5 kg só de detritos eletrônicos por pessoa.

Por lixo eletrônico podemos compreender resíduos de aparelhos elétricos eletrônicos (RAEE), popularmente chamados no Brasil de “sucata de informática”, “lixo eletrônico” ou “lixo tecnológico”. Para entender melhor sobre, conversamos com Lucas da Silva, 30, empresário do setor de eletrônicos e proprietário da empresa Nova Fénix, em Maringá. A empresa existe desde 2011 e é especialista na reciclagem de eletrônicos, particularmente de equipamentos de informática. “Esse material não pode ser descartado juntamente com o lixo comum porque ele não se desfaz rapidamente: se ele for parar em um aterro ou lixão, por conter substâncias tóxicas, pode contaminar o solo e a água”, explica Lucas.

O grande perigo do descarte incorreto desse tipo de lixo fica por conta das substâncias cancerígenas, como por exemplo o chumbo, que estão presentes nos equipamentos de TVS, celulares e computadores. Atentando-se a isso, a empresa que Lucas trabalha coleta esse lixo e realiza a triagem do material. Em seguida é desmontado e classificado para a reciclagem. Para essa etapa, todo o material é enviado para pontos específicos de reaproveitamento em São Paulo, Santa Catarina, e no estado do Paraná, Curitiba e Maringá. “É preciso muita atenção e engajamento por parte da sociedade, pois como trabalhamos no ramo, percebemos que a população não realiza o descarte corretamente”, finaliza o empresário.

Para mais informações acerca da empresa de reciclagem do lixo eletrônico, confira o site aqui.

 

LIXO FARMACÊUTICO: MEDICAMENTOS

“Nós recebemos muitas pessoas querendo descartar seringas aqui na farmácia, muitas vezes sem orientação nenhuma de como fazer isso, o que é preocupante”, começa dizendo a farmacêutica Luiza Ariotti Maia, 25. De acordo com ela, as dúvidas sobre o que fazer com medicamentos vencidos e usados refletem claramente em um descarte incorreto. A Droga Raia, local onde trabalha há um ano e meio, é parceira de um programa chamado Descarte Consciente, uma gestão da BHS (Brasil Health Service) que administra em conjunto com várias empresas deste ramo a responsabilidade de descartar corretamente os medicamentos. Uma iniciativa que surgiu desse projeto foi a distribuição de pontos de coleta em farmácias.

Os pontos de coleta ficam sob responsabilidade da farmácia e colaboração de quem usa. No balcão, os lixos podem ser despejados em divisórias de comprimido e pomadas; líquidos e sprays; e caixas e bulas. Quando os recipientes se enchem, os funcionários retiram cada reservatório, pesam e depois lacram em sacos que ficam à espera da transportadora. Porém, infelizmente, nem tudo que para ali tem seu descarte correto: muitas pessoas não higienizam corretamente o remédio e acabam parando no lixo comum. Se tem um resto mínimo de medicamento dentro do reservatório, a orientação é não mexer e retirar do ponto de coleta. “É um volume que a gente não consegue dar conta, mas fazemos o possível… embalagens lambuzadas a gente lava para diminuir a contaminação”, conta Luiza.

Todo medicamento é, querendo ou não, uma droga e possui química, solventes e outros componentes em sua síntese, oferecendo graves riscos ao meio ambiente, saúde humana, e também à água potável do planeta, por isso seu descarte correto se comprova tão necessário. Para Luiza, é uma pena que nem todas as farmácias oferecem esse tipo de serviço para a comunidade. Mesmos os pontos de coleta existentes não contam com uma divulgação específica além do site oficial do programa (www.descarteconsciente.com.br).

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Ponto de coleta de medicamentos patrocinado pela Droga Raia. Os descartes são divididos de acordo com a embalagem e consistência do medicamento. (Foto: Ana Carolina Fidalski)

LIXO DOMÉSTICO: ÓLEO

Quando pensamos no óleo de cozinha, o panorama não é diferente: muito é produzido e pouco é reciclado. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleo (Abiove), o Brasil produz mais de 3 bilhões de litros de óleos vegetais por ano. Dentro desse valor, o descarte incorreto de 1 litro de óleo pode contaminar até 25 mil litros de água potável, sendo que apenas 10% são reciclados. O problema novamente está na falta de informação das pessoas sobre como descartar e por quê isso é importante.

Em uma tentativa de conscientizar, o Supermercado Condor adotou à campanha feita pela marca Liza de óleos. Em cada mercado da rede há um ponto de coleta para que a população leve o óleo usado na cozinha e não simplesmente despeje ralo abaixo. Contatamos a “Ação Renove o Meio Ambiente”.para saber o que acontece com o óleo recolhido nesses postos. Para o despejo, é necessário despejar o óleo usado, quando já frio, em uma garrafa pet. Quando cheio o reservatório, uma empresa especializada faz a coleta, levando para ser reciclado e transformado em biodiesel – combustível biodegradável de fonte renovável, reduzindo a emissão de gases poluentes. Quanto às embalagens PET, estas são enviadas às Cooperativas de Catadores onde também passam pelo processo de reciclagem, evitando cair em aterros e lixões.

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Para descartar o óleo de cozinha usado de maneira correta, é necessário despejar o conteúdo em uma garrafa pet e fechá-la bem. (Foto: Ana Carolina Fidalski)

Essas são algumas iniciativas realizadas por algumas empresas de Maringá para que esses tipos de lixo (eletrônico, farmacêutico e doméstico – óleo) sejam descartados de maneira correta, tendo em vista que, se jogados juntamente com o lixo comum, trazem riscos à população.