Gabriella Garcia é uma carioca baseada em São Paulo. Artista autodidata, produz colagens, esculturas, vídeos e instalações; tem como inspiração artistas como Lygia Clark e Constantin Brancusi. A jovem de 25 anos, que já participou de exposições no Brasil e na Holanda, possui um projeto chamado COLLA GG, plataforma online onde expõe seu trabalho. Gabriella, filha de Isabela Garcia e André Wanderley, conta que os pais a ajudaram a enxergar a arte de maneira filosófica.

O ComunicaUEM conversou com ela e trás hoje uma pequena entrevista e uma amostra de suas produções, que abordam diversos temas, como a diversidade.

Registro da exposição solo de Gabriella, “O Equilíbrio do Caos”, na Galeria Recorte. Foto: Marcelo Elídio

ComunicaUEM: Você pode falar um pouco do seu processo de criação das colagens? Sobre a escolha dos materiais que serão utilizados e dos sentimentos envolvidos na produção em si.
Gabriella Garcia: Meu processo é baseado em experimentações de materiais do cotidiano com intenção de ressignificação. Desde o início da minha pesquisa em 2011, onde comecei a desenvolver minhas primeiras colagens, prezo para que meu processo seja um momento de reflexão para compreensão de sentimentos. Vejo como um processo um tanto quanto psicanalítico e de busca pelo equilíbrio, posso dizer até meditativo. Hoje a colagem participa da minha pesquisa porém não mais como a vertente principal mas inserida com a proposta de transformar peças planas e dar espaço para obras que ocupam e pertencem a um espaço.

 

ComunicaUEM: Como você vê a interação online das pessoas com o seu trabalho?
Gabriella Garcia: Minha intenção é estar sempre disponibilizando meus processos online, para que o espectador possa compreender melhor o que é o meu projeto e quem sou eu.

O instagram trouxe diversos contatos profissionais, como Galerias e Museus de dentro e fora do Brasil. É uma ferramenta muito importante para jovens artistas, é onde você mesmo faz a curadoria do que e como exibir. As Hashtags também são muito importantes para você sair do seu meio de comunicação formado e expandir o trabalho para outro público.

Colagem da série “Espelho”. Disponível em: https://www.collagg.com.br/home


ComunicaUEM: A arte sempre esteve em sua vida por causa dos seus pais, de que forma você acha que isso afeta o seu fazer artístico hoje?

Gabriella Garcia: Percebo que a relação dos meus pais com a arte me trouxe bastante referência de como ser profissional no meu trabalho, além claro, de me inspirar a lidar com minha arte de forma filosófica.

Meus pais sempre foram muito abertos em relação a arte, e isso pra mim foi muito importante pois me fez perceber que posso viver por ela, dela, com ela.

Direção, criação, edição, execução e filmagem: Gabriella Garcia
Colaboração: Danila Moura
Performance: Negroma

ComunicaUEM: Como surgiu o seu seu interesse de produzir videoarte? De que forma você acha que a videoarte pode contribuir para interatividade em exposições?
Gabriella Garcia: O vídeo traz uma forma de expressão que atinge não só o público que transita por espaços de arte, mas também o espectador que se conecta por outros meios de acessibilidade.

O videoarte também é uma oportunidade de contar uma história por meio livre e político, o que é fundamental para mim como compreensão do que precisa ser dito e posicionado no mundo em que vivemos hoje.

Meu primeiro trabalho chamado “Reflexos da Sociedade” traz um performer negro, habitando uma instituição de arte de São Paulo em seu pós-incêndio, na intenção de trazer de volta as atividades de um projeto que foi interrompido pela falta de cuidado de um país. Um país de posicionamento retrógrado em relação a diversidade e igualdade. Sinto necessidade de falar sobre esse assunto pois não concordo com a indiferença que existe com a desigualdade social e preconceituosa.

No vídeo, Negroma ocupa um espaço público e ao mesmo tempo que é ofendido por passantes, é também observado e percebido. Quis mostrar a reação do ser humano em relação a uma ação de empoderamento negro/sem-gênero. Por mais triste que essa reação seja, ela é real, ela existe e não podemos deixar que o preconceito e a desigualdade se tornem natural e suportável.

“This Dream Might Fade Away”. Foto: Marcelo Elídio

Em breve surgirão notícias sobre novas exposições, é só acompanhar o site do COLLA GG e o instagram do projeto, @collagg.