Nessa quinta-feira (04/05/2017), aconteceu na Universidade Estadual de Maringá a 6ª Aula Inaugural do curso de Comunicação e Multimeios. Ela foi organizada pelo Observatório de Mídias, que é administrado pela professora Valéria Assis e por alunos do curso de Comunicação da Universidade Estadual de Maringá. A aula contou com a presença do convidado Prof. Dr. Pablo Ortellado, doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é professor doutor do curso de Gestão de Políticas Públicas e orientador no programa de pós-graduação em Estudos Culturais da USP.

Prof. Dr. Pablo Ortellado

Segundo Ortellado, a polarização conta com dois fenômenos: O antagonismo e o alinhamento de ideias.  Foto: Leonardo Ianella.

A palestra tinha como objetivo apresentar o funcionamento da difusão de notícias falsas no Facebook sob o cenário atual de polarização política. Segundo o professor, há uma grande contaminação nas redes social de boatos e rumores, sendo que essas publicações enganosas costumam gerar bastante repercussão e fomentar a paixão do leitor que, enganado,  a absorve e – consequentemente – cria e desenvolve opiniões a partir de informações imprecisas.

Ao abordar sobre os fenômenos de polarização, o Prof. Dr. Pablo Ortellado explica que esse fenômeno não se encontra somente no Brasil, mas também na França, EUA e Reino Unido – e dele, observa-se duas características bastante proeminentes: O antagonismo e alinhamento de ideias. Como expõe Ortellado, as mesmas ideias (alinhamento) serão rebatidas de um lado e defendidas de outro (antagonismo). Em um contexto brasileiro, por exemplo, o que a “esquerda” defende é criticado pelos “antispetistas”  – e o contrário também se mostra real. Pablo Ortellado ressalta também que essa divisão, além do campo político, pode ser observada na procura do veículo de comunicação, que encontra-se repartido de acordo com a ideologia política do canal.

Segundo o professor, cerca de 10-15% da população brasileira atualmente encontra-se polarizada- um número bastante significativo. Contudo, é importante ressaltar que esse não é um fenômeno novo no Brasil, sendo que ele ocorreu também nos anos 40 e nos anos 70. Ou seja, muito antes da propagação das redes sociais, entendendo que mais do que midiática, essa separação está nos próprios cidadãos. Ortellado também explica que a atual situação brasileira teve início em 2005 sob os escândalos de corrupção no governo do PT, iniciando-se o chamado “antipetismo”. Contudo, apenas em 2014 esse ideal ganhou mais força – contribuindo para a atual situação polarizada brasileira. Observa-se que, mesmo possuindo objetivos em comum, os dois lados possuem dificuldades de comunicação por conta do ódio instalado entre eles.

O professor cita a página “Monitor do debate político no meio digital”, um projeto da USP cujo o objetivo é mapear, mensurar e analisar o ecossistema de debate político no meio digital, utilizando 118 fontes de 82 veículos de comunicação, importante para se estudar os canais de informação e sua desenvoltura. Das notícias divulgadas no Facebook, 50% da atenção é voltada para os grandes veículos e os outros 50% para veículos alternativos, resultado de uma procura equilibrada das fontes. Pablo Ortellado alerta, contudo, a importância de se duvidar da notícia independente da fonte lida, pois nem sempre serão confiáveis. Uma outra característica grave, explicou Prof. Dr. Pablo Ortellado, seria a manchetização. Apenas uma em cinco pessoas compartilha notícias na rede social realmente a lê, as outras quatro atentam-se somente a manchete, o que auxilia a divulgação de informações imprecisas ou entendimento errado da matéria.

Ao ser indagado sobre como buscar a veracidade de uma notícia, o professor instrui que é importante se atentar as fontes e de se certificar que o tema da reportagem está sendo também abordado em outros canais de comunicação, não apenas em um –  e a credibilidade que o meio possui. Por fim, indica que é sempre importante desconfiar de si mesmo, para que não se deixar enganar caso a notícia encaixar-se no seu “viéz de confirmação”, por exemplo.

Partipantes da Aula Inaugural: docentes da Universidade de Maringá, alunos, e comunidade externa.

A 6ª Aula Inaugural contou com a presença de docentes da Universidade de Maringá, alunos e comunidade externa. Foto: Leonardo Ianella.

O professor conclui afirmando que os meios digitais estão tomados pelas lógicas de polarização e por notícias falsas e, para ele, a solução não se encontraria nas próprias mídias mas sim na população, deixando em aberto o questionamento sobre como solucionar esse problema.